segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Usamos todo o cérebro e não uma pequena parte...

É frequente ouvirmos dizer que usamos apenas uma pequena parte do nosso cérebro. Esse é, aliás, um argumento muitas vezes utilizado por "especialistas" da auto-ajuda para venderem programas que dizem melhorar o desempenho cerebral.
A verdade, porém, é que usamos a totalidade do nosso cérebro, o que é comprovado pela actividade registada através da neuroimagem e pelas consequências de lesões em diferentes áreas. A nossa "máquina" funciona como um conjunto de sistemas que interagem.
Um exemplo é a memória, que envolve várias áreas do cérebro. Prova disso mesmo é o facto de um indivíduo com uma amnésia que o impede de reter novas informações (amnésia anterógrada), ou de recordar memórias anteriores a uma lesão (amnésia retrógrada), poder continuar a saber conduzir o seu automóvel. Da mesma forma, apesar da amnésia, continua a ter medo quando lhe surge pela frente aquele cão que o mordeu em tempos e, também, não esqueceu a técnica que o tornou invencível no ténis de mesa.
Como é isto possível? Simplesmente, porque estes exemplos correspondem a diferentes tipos de memória que estão relacionados com diferentes áreas do cérebro. A aprendizagem está, essencialmente, relacionada com o hipocampo e partes do hipotálamo. Nas emoções, como a de medo, intervém a amígdala, situada na zona mais primitiva do cérebro e muito relacionada com os nossos instintos de sobrevivência. Na coordenação de movimentos, essencial para a tal pancada imbatível no ténis de mesa, é utilizado o cerebelo.
Não desvalorizemos, portanto, a actividade do nosso cérebro. E muito menos nos deixemos cair em... cantigas.

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