segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Usamos todo o cérebro e não uma pequena parte...

É frequente ouvirmos dizer que usamos apenas uma pequena parte do nosso cérebro. Esse é, aliás, um argumento muitas vezes utilizado por "especialistas" da auto-ajuda para venderem programas que dizem melhorar o desempenho cerebral.
A verdade, porém, é que usamos a totalidade do nosso cérebro, o que é comprovado pela actividade registada através da neuroimagem e pelas consequências de lesões em diferentes áreas. A nossa "máquina" funciona como um conjunto de sistemas que interagem.
Um exemplo é a memória, que envolve várias áreas do cérebro. Prova disso mesmo é o facto de um indivíduo com uma amnésia que o impede de reter novas informações (amnésia anterógrada), ou de recordar memórias anteriores a uma lesão (amnésia retrógrada), poder continuar a saber conduzir o seu automóvel. Da mesma forma, apesar da amnésia, continua a ter medo quando lhe surge pela frente aquele cão que o mordeu em tempos e, também, não esqueceu a técnica que o tornou invencível no ténis de mesa.
Como é isto possível? Simplesmente, porque estes exemplos correspondem a diferentes tipos de memória que estão relacionados com diferentes áreas do cérebro. A aprendizagem está, essencialmente, relacionada com o hipocampo e partes do hipotálamo. Nas emoções, como a de medo, intervém a amígdala, situada na zona mais primitiva do cérebro e muito relacionada com os nossos instintos de sobrevivência. Na coordenação de movimentos, essencial para a tal pancada imbatível no ténis de mesa, é utilizado o cerebelo.
Não desvalorizemos, portanto, a actividade do nosso cérebro. E muito menos nos deixemos cair em... cantigas.

Esclerose Múltipla: a doença dos países desenvolvidos

A Esclerose Múltipla é considerada uma doença dos países desenvolvidos. A Organização Mundial de Saúde calcula que dois milhões e meio de pessoas sofram desta patologia. Em Portugal serão mais de cinco mil. Entre os factores de risco estão a predisposição genética, o ambiente e os estilos de vida.
Em menos de dois minutos, este vídeo explica esta doença crónica, inflamatória e degenerativa, que afecta o sistema nervoso central.



domingo, 27 de fevereiro de 2011

Quando boceja um português...

Quando boceja um português (ou até um chinês) bocejam logo dois ou três! Na espécie humana, o acto de bocejar é contagioso, involuntário e universal. 
A raíz do bocejo está no tronco cerebral, uma área do sistema nervoso central situada entre a medula espinal e o cérebro, presumindo-se que possa ser um grupo de neurónios do mesencéfalo os responsáveis pelo comando deste curioso acto.
A função do bocejo é manter-nos acordados, provocando a entrada de uma grande quantidade de ar nos pulmões, o que permite um aporte excepcional de oxigénio na corrente sanguínea. Isto faz com que o nosso estado de alerta aumente, impedindo-nos de adormecer.
Este incrível fenómeno do corpo humano ocorre, inclusive, em indivíduos que se encontram em situação de coma vegetativo. Mas, a surpresa não termina aqui. Dizem os especialistas que um dos efeitos secundários do Prozac, o popular medicamento antidepressivo, em algumas mulheres é a possibilidade de o bocejo causar uma inflamação no clítoris e, pasme-se, provocar um orgasmo!
Duas últimas curiosidades: a primeira é que o bocejo só é contagioso em mamíferos primatas; a segunda é que o leitor deste blog tem uma forte probabilidade de ter bocejado enquanto leu este texto, pois o contágio ocorre, não só pela visão de um bocejo, mas também quando falamos ou lemos sobre ele. Desconhece-se a razão deste contágio, mas presume-se que seja uma forma de os seres humanos transmitirem uns aos outros a necessidade de estarem alerta.
Eu, confesso, já bocejei!

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Exercício físico é bom para o cérebro

O exercício físico aeróbico aumenta a nossa capacidade de resolução de problemas, planificação e atenção, estimulando a actividade neuronal e a resistência ao stress.  Contribui, também, para reduzir riscos de virmos a sofrer de demência, nomeadamente Alzheimer.
John Medina, professor na Universidade de Washington, explica, numa série de vídeos e pequenos textos, a importância do exercício físico (aeróbico) para o nosso cérebro. Agora, toca a mexer...

Por que decidimos isto e não aquilo...?

Já aconteceu a todos tomarmos decisões que nos surpreendem a nós próprios por serem contrárias ao que pretendíamos, inicialmente, fazer. Por exemplo, quando conduzimos e viramos na rua por onde costumamos seguir todos os dias, embora desta vez quiséssemos prosseguir em frente para irmos ter com o amigo que está à nossa espera. Só nos apercebemos do erro segundos mais tarde... tarde demais! Mas, por que motivo isto acontece?
Os mais recentes estudos sobre os processos de tomada de decisão – porque (e como) decidimos de uma forma e não de outra – apontam para a existência de dois sistemas de raciocínio (cognitivos): um intuitivo e outro deliberativo. Aparentemente, ambos têm campos de intervenção distintos, conforme tem vindo a ser comprovado tanto por dados comportamentais como por estudos de neuroimagem.
É, sobretudo, ao nível dos processos cognitivos que os sustentam que a generalidade das teorias distinguem o raciocínio intuitivo do deliberativo. Desde logo no que respeita aos tipos de memória envolvidos. Enquanto o raciocínio deliberativo está relacionado com a memória de trabalho (envolvida no armazenamento de informação temporária, útil nas nossas tarefas diárias) e a inteligência geral, o intuitivo associa-se, essencialmente, às memórias de longo prazo.
Uma outra característica que permite distinguir estes dois sistemas de raciocínio, unanimamente aceite, é o facto de o intuitivo se orientar, sobretudo, por dados observáveis e conhecimentos previamente aprendidos, resultando de um processo inconsciente (embora o seu resultado não o seja), automático, rápido e conduzido por esquemas de semelhança e associação. Ou seja, que não envolve a atenção.
Este tipo de raciocínio é distinto do deliberativo, já que este último envolve, obrigatoriamente, a consciência daquilo que é pretendido no momento da decisão e do que é necessário fazer para concretizar esse objectivo. Ou seja, trata-se de um processo caracterizado por maior esforço e por uma expressão da nossa vontade (motivação), o que resulta num esquema de raciocínio mais estruturado, demorado, sequencial e que implica liberdade de processamento da informação.
No fundo, estamos perante acções premeditadas (raciocínio deliberativo) e acções que resultam de estímulos ambientais (raciocínio intuitivo). Quando os dois sistemas de raciocínio entram em conflito, ocorre o tal erro de decisão que nos leva a virar o nosso carro num sentido que não era o que tínhamos previsto seguir.
Não é possível, no entanto, afirmar-se que um tipo de raciocínio é mais correcto do que o outro. Tudo depende do momento. O intuitivo, por exemplo, é considerado como mais capacitado para a tomada de decisões quando as opções têm muitos atributos familiares, ou atributos relevantes que são difíceis de verbalizar ou quantificar.
Menos clara para a investigação científica continua a ser a forma como os dois sistemas de raciocínio funcionam e interagem, bem como a localização das suas bases neurais e a forma como os processos emocionais intervêm.
O neurocientista português António Damásio, autor da hipótese dos marcadores somáticos, é um dos principais defensores da ideia de que as reacções emocionais constituem uma forma de tomada de decisão intuitiva. No entanto, outros investigadores alertam para o facto de que a emoção não pode ser dissociada de uma avaliação cognitiva, já que uma resposta emocional a um evento requer, pelo menos, algum entendimento prévio acerca desse mesmo evento.
Muita investigação há, portanto, ainda a fazer para que possamos compreender, verdadeiramente, os nossos comportamentos.

Fonte: Darlos, A. & Sloman, S. (2010). Two systems of reasoning: architecture and relation to emotion. Wiley Interdisciplinary Reviews: Cognitive Science, 1(3), 382-392. doi: 10.1002/wcs.34

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Homens, mulheres e o paradoxo da dependência

A maior parte dos homens e das mulheres são carentes de forma proporcional ao não atendimento das suas necessidades emocionais. Quando estas são atendidas, eles (e elas) direccionam a sua atenção para o exterior. Este fenómeno é descrito como o "paradoxo da dependência". 

Fonte: Levine, A. & Heller, R. (2011). Get Attached. Scientific American Mind, vol. 21, 6, 22-29

Descoberto gene ligado à depressão


Cientistas norte-americanos descobriram um gene que pode estar na origem da depressão. Uma pista importante, já que cerca de 40 por cento dos doentes não responde à medicação que existe.

 

Notícia RTP - Vídeo



Amusia - Incapacidade para apreciar música


A música é, para a maior parte de nós, um prazer e uma companhia que não dispensamos no dia-a-dia e nos mais variados momentos. Infelizmente, nem todos podem ter este privilégio.
A amusia corresponde a uma perda da capacidade para reconhecer ou evocar elementos musicais. Indivíduos com este problema são incapazes de apreciar música.
A amusia pode ser congénita ou adquirida e conta com numerosas variedades. No caso da adquirida, resulta de uma lesão cerebral e pode afectar a percepção e a produção musical, bem como a leitura ou escrita de música.
Esta patologia pode manifestar-se ao nível do funcionamento motor ou expressivo, classificando-se como:
  • Amusia oral-expressiva: resulta na impossibilidade de cantar ou assobiar um tom musical.
  • Amusia instrumental ou aprazia musical: resulta na incapacidade para tocar um instrumento.
  • Agrafia musical: resulta na perda de capacidade para escrever música.
    Ou, manifestar-se ao nível perceptivo:
  • Amusia sensorial: incapacidade para distinguir tons musicais.
  • Amusia amnésica: incapacidade para reconhecer canções ou músicas familiares.
  • Alexia musical: perda da capacidade para ler música.
Quanto à amusia congénita, curiosamente, afecta apenas o tom. Estas pessoas apresentam, desde o nascimento, um défice na percepção e produção de melodias, por motivos que não são explicados por surdez, lesão cerebral, défice intelectual ou carência de exposição à música.

Fonte: Urios, Duque & Moreno (2011). Musica e cerebro: fundamentos neurocientíficos y trastornos musicales. Revista de Neurologia, 52, 45-55

Cérebro gere as memórias durante o sono


O cérebro avalia as nossas memórias durante o sono e retém, preferencialmente, aquelas que considera mais relevantes. Foi a conclusão a que chegaram investigadores alemães que pretendiam compreender de que forma o cérebro humano decide guardar na memória determinadas informações e esquecer outras.
Os resultados do estudo, realizado na Universidade de Tubinguen (Alemanha) e que envolveu 191 voluntários, foram divulgados num artigo publicado, recentemente, no Journal of Neuroscience. Segundo os autores, indivíduos a quem foi permitido dormir após a realização de exercícios de memória declarativa, memória visuoespacial e memória motora procedimental obtiveram melhores desempenhos na recuperação daquelas memórias do que os restantes sujeitos que ficaram acordados.
No entanto, entre os que dormiram, os melhores desempenhos pertenceram aos indivíduos que haviam sido previamente informados de que seriam submetidos a exames de memória 10 horas depois.
Simultaneamente, os investigadores verificaram, através de electrocencefalogramas, que os indivíduos a quem foi permitido dormir e que sabiam que iriam ser examinados apresentaram um incremento da actividade cerebral durante o sono profundo.
As conclusões deste estudo podem significar um importante contributo para a compreensão sobre a forma como o cérebro gere as suas memórias.
Fonte: Wilhelm, I. et. al (2011). Sleep selectivity enhances memory expected to be of future relevance. The Journal of Neuroscience, 31 (5), 1563-1569

Exercício aeróbico aumenta tamanho do hipocampo e melhora a memória


O treino aeróbico continuado, em adultos maiores sedentários, aumenta o tamanho do hipocampo e melhora a memória. Esta é a principal conclusão de um estudo realizado nos EUA e, recentemente, publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.
A investigação, que decorreu durante um ano, envolveu uma amostra composta por 60 indivíduos adultos, com idades entre os 60 e os 80 anos.
Fonte: Erickson, K. et. al (2011). Exercise training increases size of hippocampus and improves memory. Proceedings of the National Academy of Sciences