No preciso momento em que lê estas palavras, o seu corpo está a ser bombardeado com milhões de estímulos. Não acredita? Experimente, então, fechar os olhos durante alguns segundos e ponha-se à escuta. Agora!
Se confiou em mim, certamente "descobriu" uma série de sons de que não se tinha apercebido porque o seu cérebro estava ocupado a descodificar estas palavras. Mas, a verdade é que os sons estavam aí e, conforme pôde comprovar, o seu aparelho auditivo está a funcionar em pleno... Porque é que isto acontece? Simples. Porque não pode estar atento a tudo, ou então enlouquecia!
A atenção tem uma função cerebral que visa seleccionar, de entre as inúmeras estimulações sensoriais que chegam ao seu cérebro, as que são relevantes para a realização de uma actividade motora ou mental. Outra definição descreve-a como sendo uma função mental complexa que corresponde à capacidade de focalização da mente num aspecto do ambiente, ou em algum conteúdo da própria mente.
Subjacente à atenção estão mecanismos biológicos vários, designadamente a Formação Reticular, que corresponde a uma série de longas fibras nervosas, localizadas no tronco cerebral, que modulam as informações sensoriais e transportam a informação para e do córtex cerebral.
Na coordenação deste complexo processo está o chamado Sistema de Activação Reticular, constituído pela formação reticular e pelas suas ligações. Este sistema recebe a informação sensorial do exterior e faz a sua transferência para o córtex de forma a mantê-lo alerta e preparado para alterações ambientais.
O Sistema de Activação Reticular tem uma função indispensável para os processos de atenção, regulando o nível de atenção, mesmo quando o estado de vigília permanece constante, ou seja, quando estamos perfeitamente acordados...
Isto significa que, enquanto lê estas linhas, o seu sistema de activação reticular está a "eliminar" os sons que há pouco "ouviu", quando fechou os olhos, mas que entretanto deixou, de novo, de escutar ao concentrar a sua atenção neste texto, mesmo sabendo que eles estão lá.
Posto isto, nada melhor do que um teste de atenção. Se já conhecer o vídeo, ele não vale... Passe para o vídeo seguinte e vai ficar ainda melhor esclarecido, graças à excelente explicação do Paulo Vilhena.